Mercado Imobiliário

Empresário brasileiro fatura R$ 3 mi com aluguel de casas nos EUA

O mercado imobiliário nos Estados Unidos passou de centro de uma crise, em 2008, para setor de atração de negócios, seis anos depois. O brasileiro Fábio Cardoso, 41, é um dos empresários que atuam por lá, com uma empresa de gerenciamento de aluguel de casas para turistas.

As mais caras possuem piscina, sala de jogos e sala de cinema e custam de R$ 445,21 por dia
As mais caras possuem piscina, sala de jogos e sala de cinema e custam de R$ 445,21 por dia (Foto: Shutterstock)

A CDN Homes administra a locação de mais de 400 casas em 30 condomínios em Orlando. A cidade é famosa por abrigar diversos parques temáticos, como o complexo Walt Disney World e o parque Universal Studios.

As casas geminadas de três a seis quartos, as mais baratas, têm preços entre US$ 95 (R$ 223,20) e US$ 370 (R$ 869,32) por dia. As mais caras possuem piscina, sala de jogos e sala de cinema e custam de US$ 190 (R$ 445,21) a US$ 750 (R$ 1.750,40) a diária.

Criada em 2012, a empresa teve um faturamento de R$ 3 milhões em 2013, quatro vezes maior que no ano anterior. A margem de lucro é de 25%. “Neste ano, esperamos duplicar o faturamento porque já atingimos a cifra de 2013 em julho”, diz Cardoso.

Brasileiros são os mais interessados

Os clientes da CDN Homes são de dois tipos. O primeiro é o proprietário da casa. Ele paga uma taxa para que a empresa cuide da manutenção e de todos os trâmites relacionados ao aluguel. Os proprietários podem ser investidores, que compram várias casas na cidade para lucrar com a locação, ou indivíduos que adquirem o imóvel para uso próprio, mas apenas por algumas semanas no ano.

Os brasileiros respondem por 7% da compra de imóveis por estrangeiros no Estado da Flórida, onde fica Orlando. Estão atrás apenas de canadenses (30%) e venezuelanos (8%), de acordo com a NAR (sigla, em inglês, para associação nacional americana de corretores de imóveis).

Diárias variam de US$ 90 a US$ 800

O outro tipo de cliente da CDN Homes é o turista que vai viajar em família ou por longos períodos e prefere o serviço de aluguel à hotelaria. Ele pode procurar a empresa de gerenciamento por conta própria ou por intermédio de uma agência de viagens. Por cada aluguel, que vai de US$ 90 (R$ 210,96) a US$ 750 (R$ 1.750,40) a diária, a CDN Homes recebe uma comissão.

A procura de turistas brasileiros por casas de aluguel nos Estados Unido está aumentando, segundo o vice-presidente de relações internacionais da Abav (Associação Brasileira de Agências de Viagens), Leonel Rossi Júnior. “Os preços são convidativos, há casas de tamanhos diversos, e as empresas que gerenciam o aluguel fornecem serviços como troca de roupa de cama e limpeza semanal”, diz.

Além dos citados, a CDN oferece serviços como a aquisição de ingressos para os parques de Orlando e passeios pela cidade.

De guia turístico a empreendedor

Apaixonado por viagens, Cardoso trabalhou como guia turístico em Orlando quando tinha 18 anos. Formou-se em engenharia mecânica e passou por diversas empresas relacionadas ao setor de turismo. Em 2012, o empresário se mudou com a esposa e os três filhos para Orlando para tocar a empresa.

“Investi cerca de US$ 400 mil [R$ 937,6 mil] no primeiro ano para estabelecer uma estrutura”, diz Cardoso. “Na metade do segundo ano de vida da empresa, recuperei o investimento.”

O risco da variação cambial

A saturação do mercado imobiliário brasileiro ajuda a explicar o interesse de empresários daqui em outros mercados. Daniel Rosenthal, organizador da feira USA Expo, em São Paulo e no Rio de Janeiro, para promover a venda de imóveis nos EUA, afirma que os preços nos EUA estão mais atrativos.

“Os preços dos imóveis no Brasil estão se estabilizando em um patamar alto”, ele fala. “Já os EUA estão saindo da crise e os preços são mais reais.”

Contudo, quem vai fazer negócios fora do Brasil, seja comprando imóveis ou gerenciando aluguéis, precisa avaliar o risco cambial. “Quem investe nos Estados Unidos tem receita em dólar”, diz o professor de economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Samy Dana.

“Com o real desvalorizado, o empresário ganha mais quando converte o faturamento, em dólares, para reais. Mas, se o real se valorizar diante da moeda americana, um mesmo faturamento, em dólares, vai ser menor quando convertido para reais.”

O câmbio também pode alterar o fluxo de turistas brasileiros para os EUA e, portanto, influir no número de clientes que alugam as casas. “O turista viaja mais para o exterior quando o real está valorizado”, afirma. “Então, o empresário precisa saber que, por mais seguro que o negócio pareça, ele sempre vai depender da cotação do dólar.”

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