Mercado Imobiliário

Qual é o imóvel dos sonhos dos brasileiros?

Algumas características são desejadas pelos brasileiros quase que unanimemente. Ter mais de uma vaga na garagem, ser voltado para a face norte e ter varanda, além de boa área de lazer, são exigências muito comuns na hora da compra do apartamento.

Maioria dos paulistanos quer morar e trabalhar em lugares próximos, ou, pelo menos, ter meios de chegar facilmente de um lugar a outro (Foto: Shutterstock)
Maioria dos paulistanos quer morar e trabalhar em lugares próximos, ou, pelo menos, ter meios de chegar facilmente de um lugar a outro (Foto: Shutterstock)

Os gaúchos apreciam uma boa churrasqueira no condomínio, mas se for na varanda do apartamento, melhor ainda. Os moradores das capitais do Nordeste adoram uma boa estrutura de clube, com piscina e lazer, para enfrentar o calor. No Rio de Janeiro, infraestrutura de esportes e lazer deve estar aliada à localização perto da praia ou de parques. Em Curitiba, por conta do frio, a varanda deve ser fechada. E em Florianópolis, além da vista para o mar e da churrasqueira, o elevador também é bem valorizado, pois muitos edifícios de poucos andares e só têm escadas.

Para os que moram em São Paulo, a localização próxima ao trabalho conta muitos pontos, assim como estar próximo a uma estação de metrô. Afinal, com o trânsito alucinado da metrópole, ninguém quer perder muito tempo para ir e voltar do trabalho.

As Ilhas de  Traquilidades são bem retratadas nos Bairros Planejados
As Ilhas de Traquilidade são bem retratadas pelos Bairros Planejados

Ilhas de Tranquilidade

Na opinião do arquiteto e urbanista Candido Malta Campos Filho, professor emérito da FAU/USP e ex-secretário de Planejamento de São Paulo na gestão do prefeito Olavo Setubal, o imóvel dos sonhos da grande maioria dos brasileiros é aquele que configure uma ‘ilha de tranquilidade’. “Essa ilha começa na moradia propriamente dita. Mas idealmente se estende para a rua e bairro ou vila vizinha. As ruas devem ser tranquilas, com pouco tráfego de veículos e de baixa velocidade, de modo a permitir o uso das calçadas e, quando as ruas são muito estreitas, obrigando os pedestres a andarem pelo meio da rua, os motoristas devem respeitar pedestres, ciclistas e cadeirantes”, comenta.

Para o arquiteto, por meio de Planos de Bairro pormenorizando o Plano Diretor, é possível, com baixíssimo custo para as prefeituras, usar lombadas para estreitar a entrada das ruas ou simplesmente com mãos e contramãos canalizar o tráfego pesado para vias destinadas à interligação entre vilas e bairros.

“Elas normalmente já existem, tornando-se necessário apenas confirmá-las nesse papel. No interior dessas ilhas apenas o comércio e serviço local e pequenas oficinas devem ser permitidos pelo zoneamento. Ou as ilhas podem ser estritamente residenciais parar garantir a pouca intensidade do tráfego de veículos motorizados”, sugere.

Candido Malta explica que quem inventou as ilhas de tranquilidade com o nome de Neighborhood unit foram os anglo-saxões. Segundo ele, uma tipologia urbanística que se aproxima desse ideal são os bairros planejados que passaram a ser lançados de poucos anos para cá pelos empreendedores imobiliários.

O arquiteto afirma que o pioneiro foi Alfredo Mathias, ainda na década de 1960, com o do Alto do Morumbi. Depois veio Alphaville. São conjuntos de edifícios de apartamentos ou casas dotados de comércio e serviços de apoio no interior do condomínio. “Mas para oferecerem segurança se isolam da cidade, com muros ou grades, o que não é o ideal de uma cidade. Espero que possamos no futuro oferecer a segurança urbana que estimule uma desejada e ideal integração dos moradores dos condomínios com o conjunto dos moradores da cidade, sempre em Ilhas de Tranquilidade”, espera.

Para Malta, a prioridade a ser dada ao transporte coletivo é coerente com a restrição do uso de veículos motorizados no interior das ilhas de tranquilidade. “Esse é o ideal de como morar bem da grande maioria dos brasileiros, de 90% a 95% das pessoas, como atestam as pesquisas empíricas que tenho feito em palestras e nos planos de bairro participativos que tenho feito, como o do Branca Flor, em Itapecerica da Serra, e o de Perus, na periferia de São Paulo”, finaliza.

 

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